Pular para o conteúdo

Calculadora de FMEA: NPR e prioridade de ação

Cole os modos de falha com as notas de severidade, ocorrência e detecção e veja o NPR de cada um, a prioridade de ação (AP) do manual AIAG-VDA e a lista de riscos na ordem em que devem ser tratados.

Modos de falha

Modo de falha; S; O; D, com notas inteiras de 1 a 10. Cole direto da planilha: as três últimas colunas são as notas e o que vem antes é o texto.

Resultado

2riscos com prioridade alta (H), de 7
H Alta
2
M Média
2
L Baixa
3
Maior NPR
245

Riscos em ordem de prioridade

#Modo de falhaSODNPRAP
1Arruela não montada757245H
2Torque abaixo do especificado94272H
3Rebarba no furo576210M
4Risco na pintura467168M
5Etiqueta com impressão falhada3710210L
6Furo acima da tolerância655150L
7Vazamento não detectado no teste83372L

Etiqueta com impressão falhada tem NPR 210, maior que Torque abaixo do especificado (NPR 72), mas fica com prioridade baixa (L) contra alta (H). A tabela AP olha primeiro a severidade, depois a ocorrência e só então a detecção.

Por que AP e não só NPR: o mesmo NPR sai de combinações muito diferentes (S 10 × O 2 × D 5 e S 2 × O 10 × D 5 dão 100), e um corte fixo como "NPR acima de 100" deixa passar falhas graves. Por isso o manual AIAG-VDA de 2019 trocou o corte pela prioridade de ação.

Como calcular o NPR e a prioridade de ação

Cada modo de falha do FMEA recebe três notas de 1 a 10, sempre com 10 como o pior caso:

NPR = S × O × D

Nota Pergunta 10 1
S, severidade Quão grave é o efeito? risco à segurança do operador ou do usuário sem efeito perceptível
O, ocorrência Com que frequência a causa acontece? não há controle de prevenção a prevenção impede a causa (por exemplo, pelo projeto do dispositivo)
D, detecção Os controles atuais acham a falha? não há inspeção nem teste a falha não tem como ser produzida, ou é sempre detectada

A prioridade de ação (AP) do manual AIAG-VDA de 2019 usa as mesmas três notas, mas numa tabela em vez de uma multiplicação. A severidade decide primeiro, depois a ocorrência e só então a detecção:

S O D 7 a 10 D 5 a 6 D 2 a 4 D 1
9 a 10 6 a 10 H H H H
9 a 10 4 a 5 H H H M
9 a 10 2 a 3 H M L L
7 a 8 8 a 10 H H H H
7 a 8 6 a 7 H H H M
7 a 8 4 a 5 H M M M
7 a 8 2 a 3 M M L L
4 a 6 8 a 10 H H M M
4 a 6 6 a 7 M M M L
4 a 6 4 a 5 M L L L
2 a 3 8 a 10 M M L L
qualquer 1 L L L L

As combinações que não aparecem na tabela (S 1, S 2 a 3 com O até 7, S 4 a 6 com O até 3) são todas L.

Exemplo resolvido

Os valores que já vêm na calculadora são de um PFMEA de uma célula que fura, rebarba, monta e aperta um suporte, depois testa a estanqueidade, pinta e etiqueta:

Modo de falha S O D NPR AP
Arruela não montada 7 5 7 245 H
Torque abaixo do especificado 9 4 2 72 H
Rebarba no furo 5 7 6 210 M
Risco na pintura 4 6 7 168 M
Etiqueta com impressão falhada 3 7 10 210 L
Furo acima da tolerância 6 5 5 150 L
Vazamento não detectado no teste 8 3 3 72 L

Veja a conta da arruela: 7 × 5 × 7 = 245. Na tabela AP, S 7 a 8 com O 4 a 5 e D 7 a 10 dá H.

Agora compare duas linhas. A etiqueta tem NPR 210, um dos maiores da lista, mas AP L: o pior que pode acontecer é o cliente digitar o código à mão. O torque tem NPR 72, mas AP H: um parafuso que solta em uso tem severidade 9. Com um corte de “NPR acima de 100”, o torque ficaria sem ação e a etiqueta tomaria o tempo da equipe. A AP inverte isso.

O torque é H mesmo com detecção 2. Com severidade 9 e ocorrência 4, só a detecção 1 (a falha não tem como passar) baixaria a AP. O caminho mais firme é reduzir a ocorrência para 3 ou menos: com D 2, a AP cai para L. Detectar bem não basta, é preciso evitar que a causa aconteça.

Como ler o resultado

  • AP alta (H): a equipe precisa agir para melhorar a prevenção ou a detecção, ou registrar por que as ações atuais são suficientes.
  • AP média (M): a equipe deve agir para melhorar os controles, ou justificar por que não.
  • AP baixa (L): a equipe pode agir, mas não é obrigatório.
  • Dentro de cada AP, a lista vem ordenada pelo NPR e depois pela severidade, que servem para desempatar.
  • Para baixar a AP, ataque na ordem da tabela: a severidade só muda com mudança de projeto ou de processo, a ocorrência cai com prevenção (dispositivo, poka-yoke, manutenção) e a detecção cai com inspeção automática no posto.

Depois das ações, dê as notas de novo e veja se a AP caiu. Para escolher quais falhas analisar primeiro, um gráfico de Pareto dos defeitos ou das reclamações ajuda. Quando a detecção depende de uma medição, confira a capacidade do processo na calculadora de Cp e Cpk e acompanhe com uma carta de controle.

Erros comuns

  • Usar um corte fixo de NPR. S 10 × O 2 × D 5 e S 2 × O 10 × D 5 dão o mesmo NPR 100, mas uma é um risco à segurança e a outra é um incômodo frequente.
  • Baixar a nota de detecção para fugir da ação. Inspeção visual não é detecção 2. Use a escala do manual e a experiência real do controle.
  • Dar a ocorrência pela frequência do defeito no cliente. No PFMEA a ocorrência é da causa, considerando os controles de prevenção que existem hoje.
  • Juntar vários efeitos numa linha. Dê a severidade do pior efeito de cada modo de falha, ou separe em linhas.
  • Preencher e engavetar. O FMEA só vale se as ações recomendadas forem feitas e as notas revisadas depois.

Perguntas frequentes

O que é NPR no FMEA?

NPR é o Número de Prioridade de Risco (RPN em inglês). Ele multiplica as três notas do FMEA: severidade, ocorrência e detecção. Como cada nota vai de 1 a 10, o NPR vai de 1 a 1.000.

Como calcular o NPR do FMEA?

Dê uma nota de 1 a 10 para a severidade do efeito (S), para a ocorrência da causa (O) e para a detecção (D), e multiplique: NPR = S × O × D. Uma falha com S 7, O 5 e D 7 tem NPR 245.

Qual o NPR aceitável no FMEA?

Não existe um valor universal. Muitas empresas usavam um corte, como NPR acima de 100, mas o manual AIAG de 2008 já não recomendava limites fixos e o manual AIAG-VDA de 2019 trocou o NPR pela prioridade de ação (AP), que olha a severidade primeiro.

O que é a prioridade de ação (AP) do FMEA?

É a classificação alta (H), média (M) ou baixa (L) do manual AIAG-VDA de 2019. Ela sai de uma tabela que combina S, O e D dando mais peso à severidade, depois à ocorrência e por último à detecção. AP alta pede ação para melhorar a prevenção ou a detecção, ou uma justificativa de por que as ações atuais bastam.

O que são severidade, ocorrência e detecção?

Severidade é a gravidade do efeito da falha para o cliente, a planta ou o usuário. Ocorrência é a chance de a causa acontecer, considerando os controles de prevenção. Detecção é a capacidade dos controles atuais de achar a falha ou a causa antes de a peça sair. Nas três escalas, 10 é o pior.

Qual a diferença entre DFMEA e PFMEA?

O DFMEA analisa falhas do projeto do produto e o PFMEA analisa falhas do processo de fabricação ou montagem. As escalas de S, O e D têm textos diferentes em cada um, mas a conta do NPR e a tabela de AP são as mesmas.