Como calcular o NPR e a prioridade de ação
Cada modo de falha do FMEA recebe três notas de 1 a 10, sempre com 10 como o pior caso:
NPR = S × O × D
| Nota | Pergunta | 10 | 1 |
|---|---|---|---|
| S, severidade | Quão grave é o efeito? | risco à segurança do operador ou do usuário | sem efeito perceptível |
| O, ocorrência | Com que frequência a causa acontece? | não há controle de prevenção | a prevenção impede a causa (por exemplo, pelo projeto do dispositivo) |
| D, detecção | Os controles atuais acham a falha? | não há inspeção nem teste | a falha não tem como ser produzida, ou é sempre detectada |
A prioridade de ação (AP) do manual AIAG-VDA de 2019 usa as mesmas três notas, mas numa tabela em vez de uma multiplicação. A severidade decide primeiro, depois a ocorrência e só então a detecção:
| S | O | D 7 a 10 | D 5 a 6 | D 2 a 4 | D 1 |
|---|---|---|---|---|---|
| 9 a 10 | 6 a 10 | H | H | H | H |
| 9 a 10 | 4 a 5 | H | H | H | M |
| 9 a 10 | 2 a 3 | H | M | L | L |
| 7 a 8 | 8 a 10 | H | H | H | H |
| 7 a 8 | 6 a 7 | H | H | H | M |
| 7 a 8 | 4 a 5 | H | M | M | M |
| 7 a 8 | 2 a 3 | M | M | L | L |
| 4 a 6 | 8 a 10 | H | H | M | M |
| 4 a 6 | 6 a 7 | M | M | M | L |
| 4 a 6 | 4 a 5 | M | L | L | L |
| 2 a 3 | 8 a 10 | M | M | L | L |
| qualquer | 1 | L | L | L | L |
As combinações que não aparecem na tabela (S 1, S 2 a 3 com O até 7, S 4 a 6 com O até 3) são todas L.
Exemplo resolvido
Os valores que já vêm na calculadora são de um PFMEA de uma célula que fura, rebarba, monta e aperta um suporte, depois testa a estanqueidade, pinta e etiqueta:
| Modo de falha | S | O | D | NPR | AP |
|---|---|---|---|---|---|
| Arruela não montada | 7 | 5 | 7 | 245 | H |
| Torque abaixo do especificado | 9 | 4 | 2 | 72 | H |
| Rebarba no furo | 5 | 7 | 6 | 210 | M |
| Risco na pintura | 4 | 6 | 7 | 168 | M |
| Etiqueta com impressão falhada | 3 | 7 | 10 | 210 | L |
| Furo acima da tolerância | 6 | 5 | 5 | 150 | L |
| Vazamento não detectado no teste | 8 | 3 | 3 | 72 | L |
Veja a conta da arruela: 7 × 5 × 7 = 245. Na tabela AP, S 7 a 8 com O 4 a 5 e D 7 a 10 dá H.
Agora compare duas linhas. A etiqueta tem NPR 210, um dos maiores da lista, mas AP L: o pior que pode acontecer é o cliente digitar o código à mão. O torque tem NPR 72, mas AP H: um parafuso que solta em uso tem severidade 9. Com um corte de “NPR acima de 100”, o torque ficaria sem ação e a etiqueta tomaria o tempo da equipe. A AP inverte isso.
O torque é H mesmo com detecção 2. Com severidade 9 e ocorrência 4, só a detecção 1 (a falha não tem como passar) baixaria a AP. O caminho mais firme é reduzir a ocorrência para 3 ou menos: com D 2, a AP cai para L. Detectar bem não basta, é preciso evitar que a causa aconteça.
Como ler o resultado
- AP alta (H): a equipe precisa agir para melhorar a prevenção ou a detecção, ou registrar por que as ações atuais são suficientes.
- AP média (M): a equipe deve agir para melhorar os controles, ou justificar por que não.
- AP baixa (L): a equipe pode agir, mas não é obrigatório.
- Dentro de cada AP, a lista vem ordenada pelo NPR e depois pela severidade, que servem para desempatar.
- Para baixar a AP, ataque na ordem da tabela: a severidade só muda com mudança de projeto ou de processo, a ocorrência cai com prevenção (dispositivo, poka-yoke, manutenção) e a detecção cai com inspeção automática no posto.
Depois das ações, dê as notas de novo e veja se a AP caiu. Para escolher quais falhas analisar primeiro, um gráfico de Pareto dos defeitos ou das reclamações ajuda. Quando a detecção depende de uma medição, confira a capacidade do processo na calculadora de Cp e Cpk e acompanhe com uma carta de controle.
Erros comuns
- Usar um corte fixo de NPR. S 10 × O 2 × D 5 e S 2 × O 10 × D 5 dão o mesmo NPR 100, mas uma é um risco à segurança e a outra é um incômodo frequente.
- Baixar a nota de detecção para fugir da ação. Inspeção visual não é detecção 2. Use a escala do manual e a experiência real do controle.
- Dar a ocorrência pela frequência do defeito no cliente. No PFMEA a ocorrência é da causa, considerando os controles de prevenção que existem hoje.
- Juntar vários efeitos numa linha. Dê a severidade do pior efeito de cada modo de falha, ou separe em linhas.
- Preencher e engavetar. O FMEA só vale se as ações recomendadas forem feitas e as notas revisadas depois.