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Calculadora de taxa de refugo e custo da má qualidade

Informe a produção do mês, as peças refugadas e retrabalhadas e quanto cada uma custa. Veja a porcentagem de refugo, o rendimento de primeira e quanto as falhas de qualidade custam por mês, por ano e por peça boa.

Produção do mês

peças
Tudo o que foi feito, boas e ruins.
peças
peças
Peças que foram consertadas e aproveitadas. Não conte de novo as que acabaram refugadas.

Custos

R$/peça
Material mais o processo que a peça já tinha recebido quando foi refugada.
min
R$/h
Salário mais encargos. Usado no tempo de retrabalho e na seleção.
h/mês
Tempo gasto separando ou inspecionando de novo lotes suspeitos.
R$/mês
Custo mensal de devoluções, garantia, frete de reposição e multas do cliente.

Resultado

R$ 15.010por mês em falhas de qualidade

1,8% de refugo e 4,5% de retrabalho: de cada 100 peças, 93,7 saem certas de primeira.

Por ano
R$ 180.120
Por peça boa
R$ 0,76
Taxa de refugo
1,80%
Taxa de retrabalho
4,50%
Rendimento de primeira (FPY)
93,7%

De onde vem o custo

  • RefugoR$ 6.660/mês
  • RetrabalhoR$ 4.050/mês
  • Seleção e reinspeçãoR$ 1.800/mês
  • Falha externa (cliente)R$ 2.500/mês

Como calcular a taxa de refugo

A taxa de refugo é a porcentagem das peças produzidas que foi para o lixo (ou para a sucata):

Taxa de refugo = peças refugadas ÷ peças produzidas × 100

Taxa de retrabalho = peças retrabalhadas ÷ peças produzidas × 100

Rendimento de primeira (FPY) = (produzidas − refugadas − retrabalhadas) ÷ produzidas

“Peças produzidas” é tudo o que foi feito no período, boas e ruins. Dividir pelas peças boas dá um número um pouco maior e confunde a comparação entre meses.

Como calcular o custo da má qualidade

A calculadora soma as quatro falhas que a fábrica consegue contar:

Refugo = peças refugadas × custo de cada peça refugada

Retrabalho = peças retrabalhadas × custo do retrabalho por peça (ou tempo × custo da hora)

Seleção = horas de seleção e reinspeção × custo da hora

Falha externa = devoluções, garantia e multas do mês

Custo da má qualidade = refugo + retrabalho + seleção + falha externa

O custo anual é o mensal × 12, e o custo por peça boa divide o total do mês pelas peças que sobraram: é quanto cada peça vendida carrega de falha.

Os quatro custos da qualidade (modelo PAF)

O modelo PAF (prevenção, avaliação e falha), de Armand Feigenbaum, e a ideia de Joseph Juran de que as falhas são “ouro na mina” dividem os custos da qualidade em quatro grupos:

Categoria Exemplos Tipo
Prevenção treinamento, FMEA, poka-yoke, manutenção preventiva custo da qualidade
Avaliação inspeção, ensaios, calibração de instrumentos custo da qualidade
Falha interna refugo, retrabalho, seleção de lotes, reinspeção custo da má qualidade
Falha externa devoluções, garantia, frete de reposição, multas custo da má qualidade

Prevenção e avaliação são gastos de propósito, para que o defeito não aconteça ou não chegue ao cliente. Falha interna e externa são o preço de ele ter acontecido. Esta calculadora cobre só as falhas, que são as que a fábrica consegue contar no mês. Custos como horas extras para repor produção, cliente perdido e imagem também existem, mas são difíceis de medir, por isso o resultado aqui é um piso, não o total.

Exemplo resolvido

Os valores que já vêm na calculadora são de uma peça estampada e soldada, num mês com:

  • 20.000 peças produzidas
  • 360 refugadas e 900 retrabalhadas
  • Custo de cada peça refugada: R$ 18,50
  • Retrabalho: 6 min por peça, com a hora de mão de obra a R$ 45, ou seja, R$ 4,50 por peça
  • 40 h de seleção de lotes suspeitos no mês
  • R$ 2.500 de devoluções e garantia

As contas:

  1. Taxa de refugo = 360 ÷ 20.000 = 1,8%
  2. Taxa de retrabalho = 900 ÷ 20.000 = 4,5%
  3. FPY = (20.000 − 360 − 900) ÷ 20.000 = 93,7%
  4. Refugo = 360 × R$ 18,50 = R$ 6.660
  5. Retrabalho = 900 × R$ 4,50 = R$ 4.050
  6. Seleção = 40 h × R$ 45 = R$ 1.800
  7. Falha externa = R$ 2.500
  8. Custo da má qualidade = R$ 15.010 por mês, ou R$ 180.120 por ano
  9. Por peça boa = R$ 15.010 ÷ 19.640 = R$ 0,76

Repare que um refugo de 1,8%, que parece baixo, responde por 44% do custo. E o retrabalho, que muita gente nem registra, já é 27%.

Como ler o resultado

  • Olhe a divisão do custo, não só o total. O maior pedaço da barra mostra onde a melhoria paga mais rápido.
  • Falha externa alta significa que o defeito está passando pela inspeção. Além do custo, ela pesa na relação com o cliente.
  • Retrabalho alto com refugo baixo costuma esconder um processo instável que a equipe “salva” no fim da linha. O rendimento de primeira mostra isso; o rendimento final, não.
  • Para reduzir, separe o refugo por tipo de defeito num gráfico de Pareto, ataque os poucos vitais e acompanhe o nível sigma e o DPMO do processo. A perda de qualidade também entra no terceiro fator do OEE.

Erros comuns

  • Usar o preço de venda como custo do refugo. O custo é o material mais o processo já gasto. A margem perdida só entra se a peça refugada faltar para uma venda.
  • Custo igual para todo refugo. Uma peça perdida na montagem final carrega todas as etapas anteriores. Se o refugo acontece em pontos diferentes, use um custo médio ponderado.
  • Contar duas vezes. Uma peça retrabalhada que depois foi refugada entra só como refugo.
  • Esquecer a seleção e a reinspeção. Horas de gente separando lote suspeito são custo de falha, mesmo que ninguém lance como refugo.
  • Tratar o resultado como o custo total da má qualidade. É o que dá para contar. O que não aparece na conta, como cliente perdido, costuma ser maior.

Perguntas frequentes

Como calcular o índice de refugo?

Divida as peças refugadas pelo total produzido no período, boas e ruins, e multiplique por 100. Com 360 peças refugadas em 20.000 produzidas, o índice de refugo é 360 ÷ 20.000 × 100 = 1,8%.

Como calcular o custo do refugo?

Multiplique as peças refugadas pelo custo de cada uma: o material mais o processo que ela já tinha recebido quando foi descartada. Uma peça refugada no fim da linha custa mais do que uma refugada no primeiro posto. Desconte o que voltar como sucata vendida, se for relevante.

O que é custo da má qualidade?

É o que a empresa gasta porque as coisas não saem certas de primeira: refugo, retrabalho, seleção de lotes suspeitos, devoluções, garantia e multas do cliente. No modelo PAF, são os custos de falha interna e externa, diferentes dos custos de prevenção e avaliação.

Quais são os 4 tipos de custos da qualidade?

Prevenção (treinamento, FMEA, manutenção preventiva), avaliação (inspeção, ensaios, calibração), falha interna (refugo, retrabalho, seleção) e falha externa (devoluções, garantia, reclamações). Os dois primeiros são investimentos para evitar defeitos; os dois últimos são o custo da má qualidade.

Qual é uma taxa de refugo aceitável?

Depende do processo e do setor: usinagem e montagem costumam trabalhar abaixo de 1%, enquanto injeção, fundição e processos novos ficam acima. Mais útil do que um número de mercado é acompanhar a tendência da sua linha e o custo que o refugo representa.