Como calcular a taxa de refugo
A taxa de refugo é a porcentagem das peças produzidas que foi para o lixo (ou para a sucata):
Taxa de refugo = peças refugadas ÷ peças produzidas × 100
Taxa de retrabalho = peças retrabalhadas ÷ peças produzidas × 100
Rendimento de primeira (FPY) = (produzidas − refugadas − retrabalhadas) ÷ produzidas
“Peças produzidas” é tudo o que foi feito no período, boas e ruins. Dividir pelas peças boas dá um número um pouco maior e confunde a comparação entre meses.
Como calcular o custo da má qualidade
A calculadora soma as quatro falhas que a fábrica consegue contar:
Refugo = peças refugadas × custo de cada peça refugada
Retrabalho = peças retrabalhadas × custo do retrabalho por peça (ou tempo × custo da hora)
Seleção = horas de seleção e reinspeção × custo da hora
Falha externa = devoluções, garantia e multas do mês
Custo da má qualidade = refugo + retrabalho + seleção + falha externa
O custo anual é o mensal × 12, e o custo por peça boa divide o total do mês pelas peças que sobraram: é quanto cada peça vendida carrega de falha.
Os quatro custos da qualidade (modelo PAF)
O modelo PAF (prevenção, avaliação e falha), de Armand Feigenbaum, e a ideia de Joseph Juran de que as falhas são “ouro na mina” dividem os custos da qualidade em quatro grupos:
| Categoria | Exemplos | Tipo |
|---|---|---|
| Prevenção | treinamento, FMEA, poka-yoke, manutenção preventiva | custo da qualidade |
| Avaliação | inspeção, ensaios, calibração de instrumentos | custo da qualidade |
| Falha interna | refugo, retrabalho, seleção de lotes, reinspeção | custo da má qualidade |
| Falha externa | devoluções, garantia, frete de reposição, multas | custo da má qualidade |
Prevenção e avaliação são gastos de propósito, para que o defeito não aconteça ou não chegue ao cliente. Falha interna e externa são o preço de ele ter acontecido. Esta calculadora cobre só as falhas, que são as que a fábrica consegue contar no mês. Custos como horas extras para repor produção, cliente perdido e imagem também existem, mas são difíceis de medir, por isso o resultado aqui é um piso, não o total.
Exemplo resolvido
Os valores que já vêm na calculadora são de uma peça estampada e soldada, num mês com:
- 20.000 peças produzidas
- 360 refugadas e 900 retrabalhadas
- Custo de cada peça refugada: R$ 18,50
- Retrabalho: 6 min por peça, com a hora de mão de obra a R$ 45, ou seja, R$ 4,50 por peça
- 40 h de seleção de lotes suspeitos no mês
- R$ 2.500 de devoluções e garantia
As contas:
- Taxa de refugo = 360 ÷ 20.000 = 1,8%
- Taxa de retrabalho = 900 ÷ 20.000 = 4,5%
- FPY = (20.000 − 360 − 900) ÷ 20.000 = 93,7%
- Refugo = 360 × R$ 18,50 = R$ 6.660
- Retrabalho = 900 × R$ 4,50 = R$ 4.050
- Seleção = 40 h × R$ 45 = R$ 1.800
- Falha externa = R$ 2.500
- Custo da má qualidade = R$ 15.010 por mês, ou R$ 180.120 por ano
- Por peça boa = R$ 15.010 ÷ 19.640 = R$ 0,76
Repare que um refugo de 1,8%, que parece baixo, responde por 44% do custo. E o retrabalho, que muita gente nem registra, já é 27%.
Como ler o resultado
- Olhe a divisão do custo, não só o total. O maior pedaço da barra mostra onde a melhoria paga mais rápido.
- Falha externa alta significa que o defeito está passando pela inspeção. Além do custo, ela pesa na relação com o cliente.
- Retrabalho alto com refugo baixo costuma esconder um processo instável que a equipe “salva” no fim da linha. O rendimento de primeira mostra isso; o rendimento final, não.
- Para reduzir, separe o refugo por tipo de defeito num gráfico de Pareto, ataque os poucos vitais e acompanhe o nível sigma e o DPMO do processo. A perda de qualidade também entra no terceiro fator do OEE.
Erros comuns
- Usar o preço de venda como custo do refugo. O custo é o material mais o processo já gasto. A margem perdida só entra se a peça refugada faltar para uma venda.
- Custo igual para todo refugo. Uma peça perdida na montagem final carrega todas as etapas anteriores. Se o refugo acontece em pontos diferentes, use um custo médio ponderado.
- Contar duas vezes. Uma peça retrabalhada que depois foi refugada entra só como refugo.
- Esquecer a seleção e a reinspeção. Horas de gente separando lote suspeito são custo de falha, mesmo que ninguém lance como refugo.
- Tratar o resultado como o custo total da má qualidade. É o que dá para contar. O que não aparece na conta, como cliente perdido, costuma ser maior.