Como calcular o HRN
O HRN (Hazard Rating Number) dá um número a cada perigo da máquina multiplicando quatro fatores, cada um escolhido numa tabela fixa:
HRN = LO × FE × DPH × NP
| LO: probabilidade de ocorrência | FE: frequência de exposição | DPH: grau da possível lesão | NP: pessoas expostas |
|---|---|---|---|
| 0,033: quase impossível | 0,1: raramente | 0,1: arranhão ou contusão leve | 1: de 1 a 2 pessoas |
| 1: altamente improvável | 0,2: anualmente | 0,5: corte, dilaceração ou doença leve | 2: de 3 a 7 |
| 1,5: improvável | 1: mensalmente | 1: fratura de osso menor ou doença temporária | 4: de 8 a 15 |
| 2: possível | 1,5: semanalmente | 2: fratura de osso maior ou doença permanente | 8: de 16 a 50 |
| 5: alguma chance | 2,5: diariamente | 4: perda de um membro ou de um olho | 12: mais de 50 |
| 8: provável | 4: de hora em hora | 8: perda de dois membros ou dos dois olhos | |
| 10: muito provável | 5: constantemente | 15: morte | |
| 15: certo |
O resultado cai numa destas faixas (cada faixa inclui o limite de cima: HRN 5 é muito baixo, 5,1 já é baixo):
| HRN | Risco |
|---|---|
| 0 a 1 | Aceitável |
| 1 a 5 | Muito baixo |
| 5 a 10 | Baixo |
| 10 a 50 | Significante |
| 50 a 100 | Alto |
| 100 a 500 | Muito alto |
| 500 a 1.000 | Extremo |
| acima de 1.000 | Inaceitável |
Os fatores e as faixas são os da publicação original de Chris Steel (1990), reproduzidos na maior parte do material brasileiro sobre NR-12. Algumas empresas usam versões com nomes ou limites um pouco diferentes. Se a sua já tem um procedimento, siga a tabela dele.
O HRN dentro da NR-12
A NR-12 pede que a escolha das medidas de proteção considere as características da máquina, do processo, a apreciação de riscos e o estado da técnica (item 12.1.9 e seus subitens). Ela não diz qual método usar. Os princípios vêm da ABNT NBR ISO 12100: determinar os limites da máquina, identificar os perigos, estimar e avaliar o risco de cada um e reduzir o risco até um nível aceitável, na ordem: projeto seguro, proteções e medidas complementares, e informação para uso.
O HRN cuida da etapa de estimar o risco. É um método entre vários: matriz de risco, gráfico de risco e métodos híbridos (alguns aparecem no ISO/TR 14121-2) também servem. A vantagem do HRN é dar um número para comparar perigos e mostrar a redução do risco depois das proteções, que é parte central do relatório.
Como escolher cada fator
- LO, probabilidade. Pense no perigo como está hoje, com as proteções que existem. Rolo exposto que o operador limpa com a máquina ligada: provável (8). Zona perigosa atrás de proteção fixa aparafusada: altamente improvável (1).
- FE, frequência. Quantas vezes alguém entra na zona de perigo, não quantas vezes a máquina roda. Alimentação manual a cada ciclo: constantemente (5). Troca de ferramenta uma vez por semana: semanalmente (1,5).
- DPH, gravidade. A pior lesão realista que aquele perigo pode causar. Prensa com mão na zona de prensagem: perda de membro (4) ou pior. Rebarba cortante: corte (0,5).
- NP, pessoas. Quantas pessoas ficam expostas àquele perigo, somando turnos, manutenção e limpeza. Uma máquina operada por um operador por turno em três turnos, mais o mecânico, já são 3 a 7 pessoas (2).
Exemplo resolvido
Os valores que já vêm na calculadora são de uma correia transportadora com o rolo de retorno exposto. O operador limpa o rolo todos os dias, com a correia em movimento, e a mão pode ser puxada pelo ponto de esmagamento.
Antes das proteções:
- LO = 8 (provável), FE = 2,5 (diariamente), DPH = 4 (perda de um membro), NP = 1 (1 a 2 pessoas)
- HRN = 8 × 2,5 × 4 × 1 = 80, risco alto
As medidas: proteção fixa no rolo, raspador automático na correia e limpeza só com a correia parada e bloqueada. A limpeza manual passa a ser semanal.
Depois das proteções:
- LO = 1 (altamente improvável), FE = 1,5 (semanalmente), DPH = 4 (continua o mesmo), NP = 1
- HRN = 1 × 1,5 × 4 × 1 = 6, risco baixo
A redução foi de 80 para 6, ou 92,5% a menos. Repare que o DPH não mudou: se a mão entrar no rolo, a lesão é a mesma. O que mudou foi a chance de isso acontecer e quantas vezes alguém chega perto.
Como ler o resultado
- Use o HRN para priorizar. Ataque primeiro os perigos com HRN mais alto e os de DPH alto, mesmo que a probabilidade pareça baixa.
- Compare antes e depois. A apreciação de riscos precisa mostrar que as medidas trouxeram o risco a um nível aceitável. Se o HRN depois das proteções ainda é significante ou maior, faltam medidas.
- Um número não decide sozinho. Perigos com morte possível (DPH 15) pedem atenção mesmo com HRN baixo, e as exigências específicas da NR-12 (proteções, dispositivos de parada de emergência, sistemas de segurança) valem qualquer que seja o HRN.
Para riscos de processo e de produto, que não são de máquina, o FMEA é a ferramenta usual. E para acompanhar o resultado da segurança ao longo do tempo, calcule a taxa de frequência e gravidade de acidentes.
Erros comuns
- Baixar o DPH por causa da proteção. A proteção muda a probabilidade, não a lesão.
- Escolher a frequência pela produção, não pela exposição. Uma máquina que roda o dia todo atrás de proteção fixa expõe alguém só na manutenção.
- Esquecer a manutenção e a limpeza. Muitos acidentes graves acontecem nessas tarefas, com as proteções removidas. Avalie cada tarefa e cada fase de vida da máquina.
- Um HRN para a máquina inteira. O HRN é por perigo. Uma prensa tem vários perigos (zona de prensagem, transmissão, partes elétricas), cada um com o seu HRN.
- Ajustar os fatores até o número ficar bonito. Registre por que escolheu cada valor. Quem revisar a apreciação precisa conseguir refazer a conta.
A calculadora apoia a apreciação de riscos, não a substitui. A análise da máquina, a escolha das medidas e a conclusão sobre o risco residual são do profissional legalmente habilitado responsável.
Fontes
- Chris Steel, Risk estimation, The Safety and Health Practitioner, junho de 1990.
- Norma Regulamentadora NR-12, Segurança no trabalho em máquinas e equipamentos (texto dado pela Portaria SEPRT nº 916, de 2019).
- ABNT NBR ISO 12100, Segurança de máquinas: princípios gerais de projeto, apreciação e redução de riscos.
- ISO/TR 14121-2, Safety of machinery: risk assessment, part 2: practical guidance and examples of methods.