Como calcular o Pareto
O gráfico de Pareto ordena as causas da maior para a menor e acompanha quanto do problema já foi explicado a cada causa somada.
% da causa = quantidade da causa ÷ total
% acumulado = soma das quantidades até a causa ÷ total
| Classe | Regra usada aqui |
|---|---|
| A (poucos vitais) | as causas até cruzar 80% do total, incluindo a que cruza a linha |
| B | as seguintes, até cruzar 95% |
| C (muitos triviais) | o resto |
A causa que passa dos 80% entra na classe A porque é ela que leva o acumulado até a linha. Sem ela, os vitais explicariam menos de 80% do problema.
Exemplo resolvido
Os valores que já vêm na calculadora são as peças refugadas de uma injetora plástica em um mês, por defeito, na ordem em que foram anotadas: risco 58, rebarba 152, mancha 18, bolha 96, dimensão 31, empeno 9, incompleta 12 e sujeira 6. O total é 382 peças.
Ordenando da maior para a menor:
| Defeito | Peças | % do total | % acumulado | Classe |
|---|---|---|---|---|
| Rebarba | 152 | 39,8% | 39,8% | A |
| Bolha | 96 | 25,1% | 64,9% | A |
| Risco | 58 | 15,2% | 80,1% | A |
| Dimensão | 31 | 8,1% | 88,2% | B |
| Mancha | 18 | 4,7% | 92,9% | B |
| Incompleta | 12 | 3,1% | 96,1% | B |
| Empeno | 9 | 2,4% | 98,4% | C |
| Sujeira | 6 | 1,6% | 100% | C |
Rebarba, bolha e risco são 3 de 8 defeitos e somam 306 peças, 80,1% do refugo. Se a equipe resolver só a rebarba, já tira quase 40% das peças refugadas.
Como ler o resultado
- As barras escuras são os poucos vitais. É onde o esforço rende mais. Comece pela primeira barra, não pela causa mais fácil.
- A linha vermelha é o acumulado, lida na escala da direita. Onde ela cruza a linha tracejada de 80% fica o corte da classe A.
- Uma curva que sobe devagar, sem barras que se destacam, mostra que não há poucos vitais claros. Isso costuma indicar causas genéricas demais (“problema de máquina”) ou que a quantidade não é a melhor medida. Tente o Pareto por custo ou por minutos parados.
- Depois da ação, refaça o Pareto com os dados do período seguinte. Se a barra caiu, a ação funcionou. A causa seguinte vira a nova primeira barra.
Para paradas de máquina, o Pareto por equipamento combina bem com a calculadora de MTBF e MTTR, e o tempo perdido aparece na calculadora de OEE. Quando a causa escolhida é um risco de processo, avalie-a no FMEA com NPR e prioridade de ação.
Erros comuns
- Deixar “Outros” grande demais. Se “Outros” é uma das maiores barras, ela esconde causas que deveriam aparecer. Abra essa categoria.
- Misturar medidas. Peças refugadas, minutos parados e reais perdidos não se somam. Faça um Pareto para cada medida.
- Contar só por quantidade quando o custo é muito diferente. Um defeito raro que refuga uma peça cara pode valer mais que um frequente e barato.
- Usar um período curto demais. Com poucos dados, a ordem das barras muda de uma semana para outra. Junte pelo menos algumas semanas de registro.
- Parar no Pareto. Ele mostra onde atacar, não por que acontece. A causa raiz vem de uma análise como o Ishikawa com 5 porquês.