Como montar o plano de amostragem
O plano de amostragem simples da NBR 5426 (e da ISO 2859-1) sai de duas tabelas:
1. Letra-código: tabela 1, cruzando o tamanho do lote com o nível de inspeção (II é o padrão)
2. Plano: tabela do regime (2-A normal, 2-B severa, 2-C atenuada), cruzando a letra com o NQA: tamanho da amostra n, número de aceitação Ac e número de rejeição Re
3. Decisão: com até Ac peças defeituosas na amostra, aceite o lote. Com Re ou mais, rejeite
A amostra é tirada ao acaso do lote inteiro. Uma peça com vários defeitos conta uma vez quando o NQA é em porcentagem de defeituosas. Acima de NQA 10, a tabela só vale para defeitos por 100 peças, e aí cada defeito conta.
Exemplo resolvido
Os valores que já vêm na calculadora: um lote de 1.000 peças, nível II, NQA 1,0, inspeção normal.
- Tabela 1: lote de 501 a 1.200 no nível II dá a letra J, que corresponde a 80 peças
- Tabela 2-A, linha J, coluna 1,0: Ac 2, Re 3
- Inspecione 80 peças tiradas ao acaso. Com 0, 1 ou 2 defeituosas, o lote é aceito. Com 3 ou mais, é rejeitado
Para o mesmo lote, com a mesma letra J:
| NQA | Amostra | Ac | Re |
|---|---|---|---|
| 0,65 | 80 | 1 | 2 |
| 1,0 | 80 | 2 | 3 |
| 2,5 | 80 | 5 | 6 |
| 4,0 | 80 | 7 | 8 |
É comum usar um NQA para cada classe de defeito: por exemplo, 0,65 para defeitos graves e 2,5 para defeitos menores. A amostra de 80 peças é a mesma, e cada classe tem o seu Ac e Re.
Nos outros regimes, com a mesma letra J e NQA 1,0: na severa, 80 peças com Ac 1 e Re 2. Na atenuada, 32 peças com Ac 1 e Re 2.
Quando a tabela tem uma seta
Nem toda combinação de letra e NQA tem plano. Um lote pequeno com NQA baixo, por exemplo: lote de 20 peças no nível II dá a letra C (5 peças), mas com NQA 1,0 a casa da letra C tem uma seta para baixo. O primeiro plano abaixo da seta é o da letra E: 13 peças, Ac 0, Re 1. A amostra passa a ser 13, e não 5. É o erro mais comum na leitura da tabela: usar o Ac do plano novo com a amostra da letra antiga.
A seta para cima funciona igual: use o primeiro plano acima e a amostra daquela linha. Quando a amostra encontrada é do tamanho do lote ou maior, a norma manda inspecionar 100% do lote.
Como ler o resultado
- Tamanho da amostra: quantas peças inspecionar, tiradas ao acaso de todo o lote.
- Ac: o maior número de defeituosas com que o lote ainda é aceito.
- Re: a partir de quantas defeituosas o lote é rejeitado. Nas tabelas atuais, Re = Ac + 1.
- Ac 0, Re 1: uma única defeituosa reprova o lote. É o que aparece com NQA baixo e amostra pequena.
- Aceitar um lote não prova que ele está bom. O plano protege a média de uma série de lotes. Um lote isolado com qualidade pior que o NQA ainda pode ser aceito por sorte, e é por isso que a norma tem as regras de troca para a inspeção severa.
Inspeção atenuada: qual tabela esta calculadora usa
A calculadora segue a tabela 2-C da ISO 2859-1:1999, em que Re = Ac + 1. A NBR 5426:1985, como a MIL-STD-105D, tem uma tabela atenuada diferente, com um intervalo entre Ac e Re (por exemplo Ac 1, Re 3): quando o número de defeituosas cai entre os dois, o lote é aceito, mas a inspeção volta para a normal. A ISO 2859-1:1999 eliminou esse intervalo. Se o seu contrato cita a NBR 5426, confira os números da atenuada na norma. Os planos normal e severo são os mesmos nas duas.
Erros comuns
- Usar a amostra da letra original depois de seguir a seta. Vale a amostra da linha onde está o plano.
- Calcular a amostra como porcentagem do lote (10% do lote, por exemplo). A norma não funciona assim: a amostra cresce bem menos que o lote.
- Tirar a amostra só do topo do palete ou só do começo do lote. A amostra precisa ser ao acaso, de todo o lote.
- Confundir NQA com a meta de qualidade. NQA 1,0 não quer dizer que 1% de defeituosas é aceitável para o cliente. É o ponto em que o plano aceita a maioria dos lotes.
- Ficar sempre na inspeção normal. As regras de troca para a severa fazem parte do sistema e são o que protege o cliente contra um fornecedor que piorou.
Para medir quanto o processo produz dentro da especificação, em vez de só aceitar ou rejeitar lotes, use o Cp e Cpk e a carta de controle. E antes de confiar na inspeção por medição, confira o sistema de medição com um estudo de R&R.
Fontes
- ABNT NBR 5426:1985, Planos de amostragem e procedimentos na inspeção por atributos.
- ISO 2859-1:1999, Sampling procedures for inspection by attributes, Part 1: Sampling schemes indexed by acceptance quality limit (AQL) for lot-by-lot inspection, tabelas 1, 2-A, 2-B e 2-C.
- ANSI/ASQ Z1.4, Sampling Procedures and Tables for Inspection by Attributes (sucessora da MIL-STD-105E).