Como calcular o balanceamento de linha
Balancear uma linha é responder a três perguntas: em que ritmo preciso produzir, quanto trabalho existe em cada peça e como dividir esse trabalho entre os postos sem que nenhum passe do ritmo.
Takt = tempo disponível ÷ demanda
Operadores mínimos = soma dos tempos ÷ takt (arredondado para cima)
Eficiência de balanceamento = soma dos tempos ÷ (número de postos × ciclo do gargalo)
Perda de balanceamento = 1 − eficiência
| Termo | O que é |
|---|---|
| Takt | o ritmo que a demanda pede. Veja a calculadora de takt time |
| Soma dos tempos | o conteúdo de trabalho da peça: todas as operações, de todos os postos |
| Ciclo do gargalo | o tempo do posto mais carregado. É ele que dita o ritmo real da linha |
| Ociosidade por ciclo | postos × ciclo do gargalo − soma dos tempos: os segundos que a linha inteira passa esperando a cada peça |
Os tempos de cada operação vêm da cronoanálise. Use o tempo padrão, com ritmo e tolerâncias, e não a média crua do cronômetro.
Exercício resolvido de balanceamento de linha
Os valores que já vêm na calculadora são de uma linha de montagem de ventiladores:
- 450 min disponíveis por turno, 2 turnos: 54.000 segundos por dia
- Demanda de 900 peças por dia
- 17 operações em 5 postos, somando 204 segundos por peça
1. Takt. 54.000 ÷ 900 = 60 segundos por peça.
2. Carga de cada posto. P1 = 45 s, P2 = 38 s, P3 = 66 s, P4 = 25 s, P5 = 30 s. O P3 passa do takt: é o gargalo, e a linha só consegue sair uma peça a cada 66 segundos.
3. Capacidade. 54.000 ÷ 66 = 818 peças por dia. Faltam 82 para a demanda.
4. Operadores mínimos. 204 ÷ 60 = 3,4, arredondando: 4 operadores. A linha tem 5 e mesmo assim não atende. O problema não é falta de gente, é a distribuição do trabalho.
5. Eficiência. 204 ÷ (5 × 66) = 204 ÷ 330 = 61,8%. A perda de balanceamento é de 38,2%: a cada peça, a linha passa 126 segundos esperando (330 − 204).
6. Rebalanceamento. Com a meta de 95% do takt (57 s por posto), as operações são agrupadas na ordem do processo, enchendo cada posto até onde cabe:
| Posto | Operações | Carga |
|---|---|---|
| Posto 1 | pegar a base, montar o motor, parafusar o motor, buscar a hélice | 54 s |
| Posto 2 | encaixar a hélice, apertar a porca, conferir a folga, montar a grade traseira | 44 s |
| Posto 3 | passar o cabo, esperar a parafusadeira, fixar a presilha, montar a grade frontal | 51 s |
| Posto 4 | teste, etiqueta, andar até o palete, embalar, fechar a caixa | 55 s |
Resultado: 4 postos em vez de 5, ciclo de 55 segundos, eficiência de 204 ÷ (4 × 55) = 92,7% e capacidade de 54.000 ÷ 55 = 981 peças por dia. A linha passa a atender a demanda com um operador a menos.
Como ler o gráfico Yamazumi
Cada coluna é um posto, e cada bloco é uma operação colorida pelo tipo de trabalho:
- Agrega valor (VA): transforma o produto, e o cliente pagaria por isso. Montar, parafusar, embalar.
- Necessária sem valor (NNVA): não transforma o produto, mas hoje não dá para tirar. Testes, conferências, pegar a peça.
- Desperdício (NVA): pode ser eliminado. Buscar material longe, esperar ferramenta, andar.
A linha vermelha é o takt. Coluna acima da linha é posto que segura a linha inteira. Colunas muito desiguais indicam espaço para mover operações. E os blocos laranja (desperdício) são os primeiros a atacar: no exemplo são 23 segundos por peça (buscar a hélice, esperar a parafusadeira, andar até o palete) que podem virar folga sem contratar ninguém.
Como funciona a sugestão automática
A sugestão percorre as operações na ordem em que você colou e vai enchendo cada posto até a meta. Quando a próxima operação não cabe, abre um posto novo. É o mesmo cálculo do GBO do TaktZen.
A meta padrão é 95% do takt. Planejar postos colados no takt (100%) não deixa margem para pequenas paradas e variação do operador. Muita fábrica trabalha entre 85% e 95%. Uma operação maior que a meta fica sozinha em um posto, e aí o caminho é dividi-la ou melhorar o método.
A sugestão é um ponto de partida, não a resposta final: ela não sabe que duas operações usam a mesma ferramenta, que um posto fica do outro lado da linha ou que uma tarefa é pesada demais para repetir o turno inteiro. Confira com quem trabalha na linha.
Erros comuns
- Usar a média crua do cronômetro. Sem ritmo e tolerâncias, todos os postos parecem ter mais folga do que têm.
- Balancear pelo takt e esquecer a variação. Um posto a 99% do takt atrasa ao primeiro parafuso que cai.
- Mover operações sem respeitar a sequência. Não dá para embalar antes de testar. A sugestão desta página mantém a ordem colada.
- Calcular a eficiência com o takt no lugar do ciclo. Alguns livros fazem soma ÷ (postos × takt). Essa conta mede a linha como ela deveria estar. Com o ciclo do gargalo, você mede a linha como ela está.
- Esquecer a capacidade. Depois de balancear, confira se o ciclo cabe na demanda com a calculadora de capacidade produtiva e acompanhe as perdas reais com o OEE.