Pular para o conteúdo

Cronoanálise: calculadora de tempo padrão

Cole as leituras de cada elemento, informe o ritmo e as tolerâncias e veja o tempo normal, o tempo padrão, quantas peças por hora a operação faz e se o número de ciclos cronometrados é suficiente.

Leituras e fatores

Um ciclo por linha, um elemento por coluna, em segundos (4,2) ou mm:ss (0:04). A primeira linha pode ter os nomes dos elementos. Cole direto da planilha.
%
100% = ritmo normal. Operador mais rápido que o normal, acima de 100%.
%
Em % da jornada. Fator de tolerância = 1 ÷ (1 − tolerância).
%
Ex.: 5 = a média fica a ±5% do tempo real.

Resultado

26,72segundos de tempo padrão por peça

Tempo observado 22,71 s, tempo normal 22,71 s, fator de tolerância 1,176.

Ciclos suficientes

São necessários 7 ciclos e o estudo tem 9 leituras válidas por elemento.

Produção por hora
134,7 peças/h
Ciclos necessários
7
Leituras fora da faixa
1

Por elemento

ElementoLeiturasMédia (s)Desvio (s)Normal (s)Padrão (s)Ciclos nec.
Pegar e posicionar104,40,34,45,187
Parafusar9 −112,120,6312,1214,264
Inspecionar e embalar106,190,376,197,286
Total do ciclo22,7122,7126,727

Pelo método da amplitude (R ÷ d2), usado em livros de tempos e métodos, seriam 7 ciclos.

Leituras por elemento (faixa cinza = média ± 2 desvios, vermelho = fora da faixa)
Pegar e posicionarPegar e posicionar · ciclo 1: 4,2 sPegar e posicionar · ciclo 2: 4,8 sPegar e posicionar · ciclo 3: 4 sPegar e posicionar · ciclo 4: 4,5 sPegar e posicionar · ciclo 5: 4,3 sPegar e posicionar · ciclo 6: 4,9 sPegar e posicionar · ciclo 7: 4,1 sPegar e posicionar · ciclo 8: 4,6 sPegar e posicionar · ciclo 9: 4,4 sPegar e posicionar · ciclo 10: 4,2 sParafusarParafusar · ciclo 1: 12,1 sParafusar · ciclo 2: 11,4 sParafusar · ciclo 3: 12,8 sParafusar · ciclo 4: 11,9 sParafusar · ciclo 5: 16,5 sParafusar · ciclo 6: 12,6 sParafusar · ciclo 7: 11,2 sParafusar · ciclo 8: 12,4 sParafusar · ciclo 9: 13 sParafusar · ciclo 10: 11,7 sInspecionar e embalarInspecionar e embalar · ciclo 1: 6 sInspecionar e embalar · ciclo 2: 6,6 sInspecionar e embalar · ciclo 3: 5,7 sInspecionar e embalar · ciclo 4: 6,2 sInspecionar e embalar · ciclo 5: 6,4 sInspecionar e embalar · ciclo 6: 5,8 sInspecionar e embalar · ciclo 7: 6,9 sInspecionar e embalar · ciclo 8: 6,1 sInspecionar e embalar · ciclo 9: 5,9 sInspecionar e embalar · ciclo 10: 6,3 s

Como calcular o tempo padrão

A cronoanálise transforma leituras de cronômetro em um tempo que serve para planejar. São três passos, elemento por elemento:

Tempo observado (TO) = média das leituras válidas

Tempo normal (TN) = TO × ritmo

Tempo padrão (TP) = TN × FT, com FT = 1 ÷ (1 − tolerâncias)

Termo O que é
Elemento uma parte da operação com início e fim claros, como “pegar e posicionar” ou “parafusar”
Ritmo a velocidade do operador observado comparada ao normal (100%)
Tolerâncias necessidades pessoais, fadiga e esperas inevitáveis, em % da jornada
FT fator de tolerância. Com 15%, FT = 1 ÷ 0,85 = 1,176

Atenção à convenção do FT. Esta calculadora (e o TaktZen) trata a tolerância como parte da jornada: FT = 1 ÷ (1 − p). Alguns livros usam FT = 1 + p, tratando a tolerância como um acréscimo sobre o tempo normal. Com 15%, a primeira dá 1,176 e a segunda 1,15. Use a mesma convenção que a sua empresa já usa.

A produção por hora no tempo padrão é 3.600 ÷ TP (em segundos).

Quantos ciclos cronometrar

Poucas leituras dão uma média pouco confiável. O número de ciclos necessário depende da variação das leituras, da confiança e do erro que você aceita:

n = ((z ÷ Er) × √(n·Σx² − (Σx)²) ÷ Σx)²

Onde z vem da confiança (1,645 para 90%, 1,96 para 95%, 2,576 para 99%), Er é o erro relativo (0,05 para ±5%), n é o número de leituras tomadas e x são as leituras. É a fórmula estatística de Barnes, a mesma do TaktZen. Calcule para cada elemento e fique com o maior valor.

Nos livros brasileiros de administração da produção (Peinado e Graeml, por exemplo) aparece também o método da amplitude:

N = (z × R ÷ (Er × d2 × x̄))²

com R = maior leitura − menor leitura e d2 tirado de uma tabela pelo número de leituras (3,078 para 10 leituras). Os dois métodos costumam dar números parecidos. A calculadora mostra os dois.

Exercício resolvido de cronoanálise

Os valores da calculadora são de 10 ciclos de uma operação de montagem com 3 elementos, ritmo de 100%, tolerâncias de 15%, 95% de confiança e erro de ±5%.

1. Leituras fora da faixa. No elemento “parafusar”, a média das 10 leituras é 12,56 s e o desvio padrão é 1,50 s. A faixa de média ± 2 desvios vai de 9,55 s a 15,57 s, e a leitura de 16,5 s do 5º ciclo fica fora (o parafuso caiu, por exemplo). Ela é descartada, e o elemento fica com 9 leituras.

2. Tempo observado, normal e padrão.

Elemento Leituras TO TN (× 100%) TP (× 1,176)
Pegar e posicionar 10 4,40 s 4,40 s 5,18 s
Parafusar 9 12,12 s 12,12 s 14,26 s
Inspecionar e embalar 10 6,19 s 6,19 s 7,28 s
Ciclo 22,71 s 22,71 s 26,72 s

3. Produção por hora. 3.600 ÷ 26,72 = 134,7 peças por hora.

4. Número de ciclos. Para “pegar e posicionar”: Σx = 44,0, Σx² = 194,4 e n = 10. Então n·Σx² − (Σx)² = 1.944 − 1.936 = 8, e n = ((1,96 ÷ 0,05) × √8 ÷ 44)² = (39,2 × 2,83 ÷ 44)² = 6,35, ou 7 ciclos. Pelo método da amplitude: R = 4,9 − 4,0 = 0,9, e N = (1,96 × 0,9 ÷ (0,05 × 3,078 × 4,4))² = 6,79, também 7 ciclos. Os outros elementos pedem 4 e 6. O maior é 7, e o estudo tem pelo menos 9 leituras válidas em cada elemento: ciclos suficientes.

Se a leitura de 16,5 s fosse mantida, o elemento “parafusar” passaria a pedir 20 ciclos. Uma leitura anormal muda muito a conta, por isso vale anotar o que aconteceu em cada ciclo.

E se o operador estivesse mais rápido que o normal, com ritmo de 110%, o TN de “pegar e posicionar” seria 4,40 × 1,10 = 4,84 s, e o TP, 4,84 × 1,176 = 5,69 s.

Como ler o resultado

  • Tempo padrão é o número que vai para o plano: use-o no balanceamento de linha, para comparar com o takt time e no cálculo de capacidade produtiva.
  • Ciclos necessários maior que os tomados pede mais leituras antes de publicar o tempo. Se um único elemento puxa o número para cima, veja se o método dele está bem definido.
  • Leituras fora da faixa são sinal de algo anormal no ciclo. Descarte só quando souber o que aconteceu. Se elas se repetem, não é exceção, é parte do processo.
  • Desvio grande num elemento costuma indicar método instável, início e fim mal definidos ou um elemento longo demais.

Erros comuns

  • Cronometrar sem dividir em elementos. Com o ciclo inteiro numa leitura só, não dá para saber onde está a variação.
  • Esquecer o ritmo. Cronometrar o operador mais rápido da fábrica a 100% gera um tempo que ninguém mais cumpre.
  • Somar tolerâncias duas vezes. Se a pausa do café já foi tirada do tempo disponível, ela não entra de novo nas tolerâncias.
  • Descartar leituras altas só porque atrapalham. Uma espera que acontece todo dia é perda real e deve aparecer na análise, não sumir dela.
  • Usar o tempo padrão como meta de OEE. O tempo padrão inclui tolerâncias. Para o desempenho do OEE, use o ciclo ideal da máquina ou do posto.

Perguntas frequentes

O que é cronoanálise?

Cronoanálise é a medição do tempo de uma operação com cronômetro, ciclo a ciclo, para chegar ao tempo padrão: o tempo que um operador treinado leva, em ritmo normal, com as pausas necessárias. É a base de tempos e métodos, do balanceamento de linha e do custo de mão de obra.

Como calcular o tempo padrão de produção?

Tire a média das leituras de cada elemento, multiplique pelo ritmo para ter o tempo normal e multiplique pelo fator de tolerância para ter o tempo padrão. Com média de 4,4 s, ritmo de 100% e 15% de tolerâncias: 4,4 × 1 × 1 ÷ (1 − 0,15) = 5,18 s.

Qual a diferença entre tempo normal e tempo padrão?

O tempo normal é o tempo médio corrigido pelo ritmo do operador observado. O tempo padrão é o tempo normal mais as tolerâncias para necessidades pessoais, fadiga e esperas inevitáveis. É o tempo padrão que vai para o plano de produção.

Como calcular o número de ciclos da cronoanálise?

Cronometre alguns ciclos (10 é um bom começo) e use n = ((z ÷ Er) × √(n·Σx² − (Σx)²) ÷ Σx)², com z = 1,96 para 95% de confiança e Er = 0,05 para ±5% de erro. Se o resultado for maior que os ciclos já tomados, cronometre mais. Os livros brasileiros também usam N = (z × R ÷ (Er × d2 × x̄))², com a amplitude R.

O que é ritmo (avaliação de desempenho) na cronoanálise?

É a nota que o analista dá à velocidade do operador comparada ao ritmo normal. 100% é o normal; um operador mais rápido recebe, por exemplo, 110%, e o tempo observado é corrigido para cima. Sem essa correção, o tempo padrão depende de quem foi cronometrado.

Quais tolerâncias usar na cronoanálise?

É comum somar algo entre 10% e 20%: necessidades pessoais (cerca de 5%), fadiga (depende do esforço, calor, postura) e esperas inevitáveis. O valor certo depende do posto e costuma ser acordado entre engenharia, produção e segurança do trabalho.