Como calcular o tempo padrão
A cronoanálise transforma leituras de cronômetro em um tempo que serve para planejar. São três passos, elemento por elemento:
Tempo observado (TO) = média das leituras válidas
Tempo normal (TN) = TO × ritmo
Tempo padrão (TP) = TN × FT, com FT = 1 ÷ (1 − tolerâncias)
| Termo | O que é |
|---|---|
| Elemento | uma parte da operação com início e fim claros, como “pegar e posicionar” ou “parafusar” |
| Ritmo | a velocidade do operador observado comparada ao normal (100%) |
| Tolerâncias | necessidades pessoais, fadiga e esperas inevitáveis, em % da jornada |
| FT | fator de tolerância. Com 15%, FT = 1 ÷ 0,85 = 1,176 |
Atenção à convenção do FT. Esta calculadora (e o TaktZen) trata a tolerância como parte da jornada: FT = 1 ÷ (1 − p). Alguns livros usam FT = 1 + p, tratando a tolerância como um acréscimo sobre o tempo normal. Com 15%, a primeira dá 1,176 e a segunda 1,15. Use a mesma convenção que a sua empresa já usa.
A produção por hora no tempo padrão é 3.600 ÷ TP (em segundos).
Quantos ciclos cronometrar
Poucas leituras dão uma média pouco confiável. O número de ciclos necessário depende da variação das leituras, da confiança e do erro que você aceita:
n = ((z ÷ Er) × √(n·Σx² − (Σx)²) ÷ Σx)²
Onde z vem da confiança (1,645 para 90%, 1,96 para 95%, 2,576 para 99%), Er é o erro relativo (0,05 para ±5%), n é o número de leituras tomadas e x são as leituras. É a fórmula estatística de Barnes, a mesma do TaktZen. Calcule para cada elemento e fique com o maior valor.
Nos livros brasileiros de administração da produção (Peinado e Graeml, por exemplo) aparece também o método da amplitude:
N = (z × R ÷ (Er × d2 × x̄))²
com R = maior leitura − menor leitura e d2 tirado de uma tabela pelo número de leituras (3,078 para 10 leituras). Os dois métodos costumam dar números parecidos. A calculadora mostra os dois.
Exercício resolvido de cronoanálise
Os valores da calculadora são de 10 ciclos de uma operação de montagem com 3 elementos, ritmo de 100%, tolerâncias de 15%, 95% de confiança e erro de ±5%.
1. Leituras fora da faixa. No elemento “parafusar”, a média das 10 leituras é 12,56 s e o desvio padrão é 1,50 s. A faixa de média ± 2 desvios vai de 9,55 s a 15,57 s, e a leitura de 16,5 s do 5º ciclo fica fora (o parafuso caiu, por exemplo). Ela é descartada, e o elemento fica com 9 leituras.
2. Tempo observado, normal e padrão.
| Elemento | Leituras | TO | TN (× 100%) | TP (× 1,176) |
|---|---|---|---|---|
| Pegar e posicionar | 10 | 4,40 s | 4,40 s | 5,18 s |
| Parafusar | 9 | 12,12 s | 12,12 s | 14,26 s |
| Inspecionar e embalar | 10 | 6,19 s | 6,19 s | 7,28 s |
| Ciclo | 22,71 s | 22,71 s | 26,72 s |
3. Produção por hora. 3.600 ÷ 26,72 = 134,7 peças por hora.
4. Número de ciclos. Para “pegar e posicionar”: Σx = 44,0, Σx² = 194,4 e n = 10. Então n·Σx² − (Σx)² = 1.944 − 1.936 = 8, e n = ((1,96 ÷ 0,05) × √8 ÷ 44)² = (39,2 × 2,83 ÷ 44)² = 6,35, ou 7 ciclos. Pelo método da amplitude: R = 4,9 − 4,0 = 0,9, e N = (1,96 × 0,9 ÷ (0,05 × 3,078 × 4,4))² = 6,79, também 7 ciclos. Os outros elementos pedem 4 e 6. O maior é 7, e o estudo tem pelo menos 9 leituras válidas em cada elemento: ciclos suficientes.
Se a leitura de 16,5 s fosse mantida, o elemento “parafusar” passaria a pedir 20 ciclos. Uma leitura anormal muda muito a conta, por isso vale anotar o que aconteceu em cada ciclo.
E se o operador estivesse mais rápido que o normal, com ritmo de 110%, o TN de “pegar e posicionar” seria 4,40 × 1,10 = 4,84 s, e o TP, 4,84 × 1,176 = 5,69 s.
Como ler o resultado
- Tempo padrão é o número que vai para o plano: use-o no balanceamento de linha, para comparar com o takt time e no cálculo de capacidade produtiva.
- Ciclos necessários maior que os tomados pede mais leituras antes de publicar o tempo. Se um único elemento puxa o número para cima, veja se o método dele está bem definido.
- Leituras fora da faixa são sinal de algo anormal no ciclo. Descarte só quando souber o que aconteceu. Se elas se repetem, não é exceção, é parte do processo.
- Desvio grande num elemento costuma indicar método instável, início e fim mal definidos ou um elemento longo demais.
Erros comuns
- Cronometrar sem dividir em elementos. Com o ciclo inteiro numa leitura só, não dá para saber onde está a variação.
- Esquecer o ritmo. Cronometrar o operador mais rápido da fábrica a 100% gera um tempo que ninguém mais cumpre.
- Somar tolerâncias duas vezes. Se a pausa do café já foi tirada do tempo disponível, ela não entra de novo nas tolerâncias.
- Descartar leituras altas só porque atrapalham. Uma espera que acontece todo dia é perda real e deve aparecer na análise, não sumir dela.
- Usar o tempo padrão como meta de OEE. O tempo padrão inclui tolerâncias. Para o desempenho do OEE, use o ciclo ideal da máquina ou do posto.