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Calculadora de incerteza de medição

Cole as leituras repetidas e as fontes do certificado e do instrumento, e veja o orçamento de incerteza completo: tipo A, tipo B, incerteza combinada, fator k e a incerteza expandida U, já no formato de resultado.

Dados da medição

Uma leitura por linha, na unidade do resultado. Aceita 25,02 ou 25.02.
Uma fonte por linha: nome; valor; distribuição; k ou divisor; ν (os dois últimos são opcionais). Distribuições: normal (U do certificado, divide por k, padrão 2), resolução (instrumento digital, divide por 2√3), retangular (limite ±a, divide por √3), triangular (divide por √6).

Resultado

± 0,022 mmincerteza expandida U
Como escrever o resultado
25,017 ± 0,022 mm, k = 2,00, nível de confiança de aproximadamente 95%
Média
25,017 mm
Tipo A: u = s/√n
0,003 mm
Incerteza combinada (uc)
0,0112 mm
Graus de liberdade efetivos
1.754
Fator de abrangência k
2,00

“Certificado de calibração” responde por 79,6% da variância. É a fonte a atacar primeiro se a incerteza estiver grande demais.

Orçamento de incerteza

FonteTipoDistribuiçãoValorDivisoruνContribuição
Repetibilidade (10 leituras)As/√n0,00949√100,00397,2%
Certificado de calibraçãoBnormal0,0220,01∞79,6%
Resolução do paquímetroBresolução0,013,4640,00289∞6,6%
Deriva entre calibraçõesBretangular0,0051,7320,00289∞6,6%
uc0,01121.754100%

Todas as fontes entram com coeficiente de sensibilidade 1, ou seja, já na unidade do resultado. A contribuição é a parte de cada fonte na variância (u² ÷ uc²).

Como calcular a incerteza de medição

O método é o do GUM (JCGM 100:2008, o Guia para a Expressão de Incerteza de Medição, traduzido pelo INMETRO como Avaliação de dados de medição: Guia para a expressão de incerteza de medição: GUM 2008), na forma simplificada que laboratórios e fábricas usam no dia a dia, a mesma do documento EA-4/02. São cinco passos:

Tipo A: uA = s ÷ √n, com ν = n − 1

Tipo B: ui = valor ÷ divisor

Combinada: uc = √(uA² + u1² + u2² + …)

Graus de liberdade efetivos: νef = uc⁴ ÷ Σ (ui⁴ ÷ νi)

Expandida: U = k × uc, com k da distribuição t para νef e 95,45%

O divisor depende de como a fonte se comporta:

Fonte Distribuição Divisor
U do certificado de calibração normal o k do certificado (normalmente 2)
Resolução de instrumento digital retangular 2√3 ≈ 3,46
Limite ±a (deriva, especificação, temperatura) retangular √3 ≈ 1,73
Limite ±a com valores mais prováveis no centro triangular √6 ≈ 2,45

A calculadora considera coeficiente de sensibilidade igual a 1 para todas as fontes. Isso vale quando cada fonte já está na mesma unidade do resultado, como acontece numa medição direta com paquímetro, micrômetro, balança ou manômetro. Se uma fonte precisa ser convertida (um efeito de temperatura em °C num resultado em mm, por exemplo), converta antes e informe o valor já em mm.

Os graus de liberdade efetivos usam a fórmula de Welch–Satterthwaite. As fontes tipo B entram com graus de liberdade infinitos, a não ser que você informe outro valor na quinta coluna. Um valor fracionário é truncado para o inteiro de baixo antes de buscar o k, como manda o GUM.

Exemplo resolvido

Os valores que já vêm na calculadora são de um eixo de diâmetro 25 mm medido 10 vezes com um paquímetro digital de resolução 0,01 mm:

25,02; 25,01; 25,03; 25,02; 25,00; 25,02; 25,01; 25,03; 25,02; 25,01 mm

  1. Média = 25,017 mm. Desvio padrão s = 0,0095 mm
  2. Tipo A: uA = 0,0095 ÷ √10 = 0,0030 mm, com 9 graus de liberdade
  3. Certificado do paquímetro: U = 0,02 mm com k = 2, então u = 0,02 ÷ 2 = 0,0100 mm
  4. Resolução: u = 0,01 ÷ (2√3) = 0,0029 mm
  5. Deriva entre calibrações de ±0,005 mm, retangular: u = 0,005 ÷ √3 = 0,0029 mm
  6. Combinada: uc = √(0,0030² + 0,0100² + 0,0029² + 0,0029²) = 0,0112 mm
  7. Graus de liberdade efetivos: só o tipo A tem ν finito, então νef = 0,0112⁴ ÷ (0,0030⁴ ÷ 9) ≈ 1.754
  8. k para 1.754 graus de liberdade e 95,45% = 2,00
  9. Expandida: U = 2,00 × 0,0112 = 0,022 mm

O resultado se escreve assim: 25,017 ± 0,022 mm, k = 2,00, nível de confiança de aproximadamente 95%.

Como ler o resultado

  • A incerteza expandida U é a faixa em torno da média onde o valor verdadeiro deve estar, com cerca de 95% de confiança. U tem no máximo dois algarismos significativos, e a média é arredondada na mesma casa decimal.
  • A contribuição de cada fonte mostra onde mexer. No exemplo, o certificado do paquímetro responde por 80% da variância. Fazer mais leituras quase não muda o resultado; um instrumento com calibração melhor, sim.
  • Graus de liberdade baixos aparecem quando o tipo A domina e há poucas leituras. Aí k cresce (2,87 com ν = 4, 2,32 com ν = 9) e a incerteza expandida aumenta. Mais leituras resolvem.
  • Compare U com a tolerância. Uma incerteza que ocupa boa parte da tolerância deixa as peças perto do limite sem decisão segura. Para conferir se o próprio instrumento passou na calibração, use o critério de aceitação da calibração. Para saber se o processo cabe na tolerância, veja o Cp e Cpk e a carta de controle.

Erros comuns

  • Usar o U do certificado direto como incerteza padrão. O certificado traz a incerteza expandida. Divida pelo k informado antes de combinar.
  • Somar as incertezas em vez de somar os quadrados. Fontes independentes se combinam pela raiz da soma dos quadrados. Somar direto superestima a incerteza.
  • Dividir a resolução por √3 em vez de 2√3. A meia largura de um dígito é metade da resolução. Num instrumento analógico, avalie a menor fração que você consegue ler e use essa leitura como limite.
  • Usar o desvio padrão s como tipo A. Para a média de n leituras, a incerteza é s ÷ √n. Se o resultado reportado for uma leitura única, aí sim use s.
  • Fixar k = 2 sempre. Com poucas leituras e o tipo A pesando, k = 2 dá menos de 95% de confiança. Calcule os graus de liberdade efetivos.
  • Esquecer fontes. Temperatura, deriva do instrumento, o padrão usado e o operador também entram, quando forem relevantes para a medição.

Perguntas frequentes

Como calcular a incerteza de medição?

Calcule a incerteza tipo A das leituras repetidas (desvio padrão dividido pela raiz do número de leituras), transforme cada fonte tipo B em incerteza padrão dividindo pelo divisor da sua distribuição, some os quadrados e tire a raiz para ter a incerteza combinada. Multiplique pelo fator de abrangência k para ter a incerteza expandida U.

Como calcular a incerteza tipo A?

Faça pelo menos duas leituras repetidas (o usual é de 5 a 10), calcule a média e o desvio padrão amostral s. A incerteza tipo A é u = s ÷ √n, com n − 1 graus de liberdade. Com 10 leituras e s = 0,0095 mm, u = 0,0095 ÷ √10 = 0,003 mm.

Como calcular a incerteza expandida?

A incerteza expandida é U = k × uc, em que uc é a incerteza combinada e k é o fator de abrangência. Para cerca de 95% de confiança, k sai da distribuição t de Student nos graus de liberdade efetivos. Com muitos graus de liberdade, k = 2.

Qual a diferença entre incerteza tipo A e tipo B?

A tipo A é calculada com estatística a partir de leituras repetidas feitas por você. A tipo B vem de outras informações: o certificado de calibração, a resolução do instrumento, a especificação do fabricante, a deriva entre calibrações. As duas entram no orçamento do mesmo jeito, como incerteza padrão.

Por que a resolução é dividida por 2√3?

Num instrumento digital, o valor verdadeiro pode estar em qualquer lugar dentro de meio dígito para cima ou para baixo, com a mesma chance. Isso é uma distribuição retangular de meia largura a = resolução ÷ 2, e a incerteza padrão de uma retangular é a ÷ √3. Juntando, resolução ÷ (2√3).

O que é o fator de abrangência k?

É o número que multiplica a incerteza combinada para dar um intervalo com a confiança desejada. k = 2 dá cerca de 95,45% quando a distribuição é normal e os graus de liberdade são muitos. Com poucas leituras e o tipo A pesando muito, k fica maior, por exemplo 2,87 com 4 graus de liberdade.