Pular para o conteúdo

Critério de aceitação da calibração

Cole os pontos do certificado de calibração, informe o erro máximo admissível (EMA) do instrumento e veja, ponto a ponto, se ele está aprovado, quanto sobra de folga e se a incerteza do laboratório é pequena o bastante.

Certificado e critério

Um ponto por linha: valor nominal; leitura do instrumento; U (incerteza expandida). Cole direto do certificado.
O limite que a sua fábrica definiu para o instrumento, sem o sinal de ±.

Resultado

4/5pontos aprovados
Instrumento reprovado
Ponto mais crítico
150 mm: 133% da EMA
Menor relação EMA/U
3
Pontos na zona de dúvida
1

1 ponto(s) com o erro dentro da EMA, mas sem espaço para a incerteza. Pela regra simples passaria; pela conservadora, não. Não dá para afirmar que o instrumento está dentro do limite.

A relação EMA/U ficou em 3 ou mais em todos os pontos. O usual é pedir pelo menos 3, e 4 é melhor.

NominalLeituraErro EUEMA|E| + UEMA/UFolgaSituação
00,000,000,010,030,013+0,02Aprovado
2525,01+0,010,010,030,023+0,01Aprovado
5050,01+0,010,010,030,023+0,01Aprovado
100100,02+0,020,010,030,0330,00Aprovado
150150,03+0,030,010,030,043-0,01Dúvida

Como conferir a calibração ponto a ponto

Para cada ponto do certificado:

Erro: E = leitura do instrumento − valor nominal

Regra conservadora: aprovado se |E| + U ≤ EMA

Regra simples: aprovado se |E| ≤ EMA

Relação EMA/U (TUR): quantas vezes a incerteza cabe na EMA. Peça 3 ou mais

O instrumento só é aprovado quando todos os pontos passam. A EMA pode ser um valor fixo, um percentual da leitura (EMA × |nominal| ÷ 100) ou um percentual da faixa (EMA × (fim − início) ÷ 100).

A regra conservadora usa a incerteza como uma banda de guarda: o limite real de aceitação fica em EMA − U. É a ideia do guia ILAC-G8, que trata das regras de decisão: quando o resultado mais a incerteza ainda cabe no limite, dá para afirmar a conformidade. Quando o erro cabe na EMA mas o erro mais a incerteza não cabe, o ponto está na zona de dúvida: não se pode afirmar nem que está dentro, nem que está fora. A ISO/IEC 17025, no item 7.8.6, exige que a regra de decisão seja combinada antes sempre que o laboratório declara conformidade.

Exemplo resolvido

Os valores que já vêm na calculadora são de um paquímetro de 0 a 150 mm, resolução 0,01 mm, com EMA de ±0,03 mm e incerteza da calibração de 0,01 mm em todos os pontos:

Nominal (mm) Leitura Erro E |E| + U Folga Situação
0 0,00 0,00 0,01 +0,02 Aprovado
25 25,01 +0,01 0,02 +0,01 Aprovado
50 50,01 +0,01 0,02 +0,01 Aprovado
100 100,02 +0,02 0,03 0,00 Aprovado
150 150,03 +0,03 0,04 −0,01 Dúvida
  1. No ponto de 100 mm, 0,02 + 0,01 = 0,03, exatamente a EMA. Passa, mas sem nenhuma folga
  2. No ponto de 150 mm, o erro de 0,03 mm cabe na EMA, mas 0,03 + 0,01 = 0,04 não cabe
  3. A relação EMA/U é 0,03 ÷ 0,01 = 3 em todos os pontos, no limite do recomendado
  4. Resultado: 4 de 5 pontos aprovados, instrumento reprovado pela regra conservadora

Pela regra simples (|E| ≤ EMA), o mesmo paquímetro seria aprovado. É exatamente o caso em que a regra conservadora protege: com a incerteza do laboratório, não dá para garantir que o erro em 150 mm está dentro de ±0,03 mm.

Como ler o resultado

  • Aprovado em todos os pontos: o instrumento pode voltar ao uso até a próxima calibração.
  • Reprovado ou dúvida: o instrumento não deve medir peças até ser ajustado, consertado ou rebaixado para um uso com tolerância maior. E as medições feitas com ele desde a última calibração boa precisam de avaliação: as peças aprovadas perto do limite ainda estão boas?
  • Folga é o quanto sobra da EMA no ponto. Folga pequena em vários pontos indica que o instrumento está perto do limite e pode reprovar na próxima vez. Vale encurtar o intervalo de calibração.
  • Relação EMA/U abaixo de 3 quer dizer que a incerteza do laboratório é grande demais para a EMA escolhida. Peça uma calibração com incerteza menor ou reveja a EMA. Para entender de onde vem uma incerteza e como ela é calculada, use a calculadora de incerteza de medição.

Quem define a EMA

A EMA é uma decisão da empresa, não do laboratório. Ela sai da tolerância do que o instrumento mede: uma regra comum é EMA entre 1/3 e 1/10 da tolerância da característica mais apertada. Uma EMA folgada demais deixa passar um instrumento que vai aprovar peça ruim. Uma EMA apertada demais reprova instrumentos que serviriam. Para saber se o processo cabe na tolerância, o Cp e Cpk e a carta de controle completam a análise.

Erros comuns

  • Comparar só o erro com a EMA e ignorar a incerteza. O ponto pode estar fora e você não ver.
  • Usar a EMA do fabricante sem pensar no uso. A especificação do fabricante é um ponto de partida. O que importa é a tolerância das peças que o instrumento mede.
  • Esquecer o sinal do erro. O critério usa o módulo |E|, mas o sinal mostra se o instrumento lê a mais ou a menos, o que ajuda no ajuste.
  • Aprovar pela média dos pontos. Basta um ponto reprovado para reprovar o instrumento na faixa em que ele é usado.
  • Não avaliar o que foi medido com um instrumento que voltou reprovado. A calibração reprovada é o começo da análise, não o fim.

Perguntas frequentes

Qual o critério de aceitação de uma calibração?

O mais usado na indústria é o conservador: o instrumento é aprovado quando, em todos os pontos, o erro em módulo mais a incerteza da calibração cabe no erro máximo admissível, |E| + U ≤ EMA. Uma regra mais simples compara só o erro, |E| ≤ EMA, mas não protege contra a incerteza do laboratório.

O que é erro máximo admissível (EMA)?

É o maior erro que você aceita no instrumento para o uso que ele tem. Pode ser um valor fixo (±0,03 mm), um percentual da leitura ou um percentual da faixa. Quem define é a empresa, a partir da tolerância do que o instrumento mede, e não o laboratório.

Como definir o erro máximo admissível de um instrumento?

Parta da menor tolerância que o instrumento vai medir. Uma regra comum é EMA entre 1/3 e 1/10 dessa tolerância: para uma cota de ±0,1 mm (tolerância de 0,2 mm), um paquímetro com EMA de ±0,02 a ±0,06 mm. Normas de produto e a especificação do fabricante ajudam a calibrar o número.

Qual o critério de aceitação para calibração de paquímetro?

Depende da tolerância das peças. Para um paquímetro de 0 a 150 mm com resolução 0,01 mm, EMA de ±0,02 a ±0,03 mm é comum. Confira cada ponto do certificado com |E| + U ≤ EMA, como no exemplo desta página.

O laboratório aprova ou reprova o instrumento?

Normalmente não. O laboratório informa o erro e a incerteza de cada ponto. A declaração de conformidade só vem no certificado se você pedir e combinar a regra de decisão, como manda a ISO/IEC 17025 (item 7.8.6). A análise crítica do certificado é da empresa.

Qual deve ser a relação entre a EMA e a incerteza?

O usual é pedir que a incerteza da calibração seja no máximo 1/3 da EMA (relação EMA/U de 3 ou mais), e de preferência 1/4. Com uma relação menor, a incerteza ocupa tanto da EMA que pontos bons acabam caindo na zona de dúvida.